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domingo, 15 de maio de 2011

Sociedade sem escolas

      Semana passada pude conhecer um clássico da literatura pedagógica: Sociedade sem escolas de Ivan Illich, um Alemão que nasceu no ano de 1926, é um pensador bastante contemporâneo. Seu livro mais famoso é justamente esse cujo nome já mencionei. As idéias de Illich são alvo de preconceitos justamente pelo título da obra, na verdade o que o autor defendia era uma despolitização da escola, desestatizar as escolas e não destruir as escolas.
Em um trecho do livro ele fala sobre as religiões e a nova alienação. Lendo esse trecho percebi o quanto Illich se assemelha à Foucault no quando compara as relações de poder e semelhanças de hierarquização nas instituições. Aqui no caso compara a igreja à escola, suas metodologias se assemelham quando distanciam o mundo real do mundo em que buscam colocar as crianças e jovens, preparam ambos freqüentadores (alunos e fiéis) para um futuro próximo, o mundo do trabalho e o reino dos céus, isso resulta em alienação.
Nas escolas brasileiras podemos observar claramente essa alienação com o exemplo da prática “educativa” pela “educação por datas comemorativas”, nesses períodos são perpetuadas atividades destituídas de significados. O carnaval se em crianças fantasiadas, à páscoa em coelhos e chocolates, o dia do índio à colares de macarrão, plumas e paetês colocando-o no patamar de ser mitológico o ano segue esse pacto de alienação.
Muitos nesse ambiente defendem-na alegando a escola educar para a vida, mas me pergunto: educamos para a vida? Qual? se já estamos vivendo e necessitamos de conhecimentos para sanar as necessidades do dia-a-dia? No futuro haverão outras necessidades! E quanto ao presente o que fazemos com ele? Acredito que esse é o exemplo mais objetivo observado em nossa realidade de educador.
É notável a ineficácia no sistema educacional vigente, as tarefas atribuídas ao professor tomam a competência de sua real missão: Ensinar! Entre essas tarefas estão os intermináveis murais, apresentações, trabalhos burocráticos entre outros.
Ele deve atender primeiramente as exigências das instituições para qual trabalham, que também são pressionadas pelos pedidos equivocados dos pais, o ensino e as crianças ficam em último lugar na escala de prioridades.
O ensino sendo tão deficiente torna-se ineficaz e sendo ineficaz não há sentido em mantê-lo, o professor acaba tornando-se irreflexivo, um ser robotizado.
Essa institucionalização contemporânea do ensino com o advento da era do conhecimento transformou a educação em mercado e indústria, caracterizando importante setor que movimenta grande fatia na economia, em face do crescimento econômico há a necessidade do operário, de um trabalhador  ”adestrado” e na escola já se percebe esse treinamento com o processo de docilização das crianças.
O setor da educação têm empregado parte significativa na economia. O aluno é produto de venda nesse mercado, o paradoxo é que esse mesmo mercado importa esses profissionais Formatados, homogeneizados, mas quem se destaca realmente são aqueles indivíduos criativos e inventivos. Agora me pergunto como será que tais indivíduos foram formados sendo que passaram por essa homogeneização, minha hipótese é que  essas pessoas não tiveram seus talentos tolhidos ou não deixaram que esses fossem apagados, não entraram na forma. Foram autônomos, outra idéia que defende Illich.
A escola não deve preparar para o mercado de trabalho e sim para o mundo do trabalho.

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